Igreja inclusiva

Eu escolhi falar pra vocês sobre uma característica dessa igreja invisível de Deus que é a capacidade de ser inclusiva. Uma igreja inclusiva. Vamos dar uma olhada no que a natureza tem a nos ensinar sobre isso.

A sabedoria aborígene diz que “tudo é um”. As árvores de uma floresta estão conectadas por um sistema de comunicação que as ajuda a serem árvores produtivas, vibrantes, a permanecerem juntas, vivas, seguras e minimamente alimentadas. As mais velhas assumem papel de pais das mais novas. Todas as árvores estão ligadas a uma espécie de rede gigante. Elas têm sentimentos. São amigas. Cuidam umas das outras como um casal. Não competem entre si. Elas gostam da companhia umas das outras. Não gostam de ficar sozinhas. Cuidam umas das outras de verdade. O cérebro não é uma única árvore, mas sua grande rede. Os tocos de árvores ali tinham tudo para morrer, mas permanecem vivos por causa do enxerto de seus amigos. Incrível, não?

Eu encontrei duas definições importantes sobre “inclusão social” que me chamaram a atenção. A primeira é: “inclusão social é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou preconceitos raciais. É a capacidade de uma sociedade de oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.”. Uma definição mais curta, mas não menos relevante é a de Sassaki, que em 1997 classificou inclusão social como “a forma pela qual a sociedade se adapta para poder incluir as pessoas na sociedade e para prepara-las a assumir seus papeis na sociedade.”. Linda descrição! Considerando essas duas definições como base, eu gostaria de sugerir uma definição particular para o que eu considero ser a igreja inclusiva: “igreja inclusiva é aquela que se adapta para incluir qualquer ser humano na vida em comunidade e que também combate a exclusão aos benefícios de se viver numa família espiritual.”.

Como a inclusão pode e deve abranger quaisquer diferenças, eu quero me concentrar na inclusão do pobre. Não o meramente pobre, mas aquele que vive sem nada. Que não tem emprego. Que na maioria, ou em todas as vezes dorme na rua. Certamente os conceitos serão aplicáveis à grande maioria dos outros menos favorecidos que trataremos em uma outra oportunidade. Em Tiago 2:1-9, lemos o seguinte: “Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com parcialidade. Suponham que, na reunião de vocês, entre um homem com anel de ouro e roupas finas e também entre um pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: “Aqui está um lugar apropriado para o senhor”, mas disserem ao pobre: “Você, fique em pé ali”, ou: “Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés”, não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? Ouçam, meus amados irmãos: Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam? Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado? Se vocês de fato obedecerem à lei do Reino encontrada na Escritura que diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo” , estarão agindo corretamente. Mas, se tratarem os outros com parcialidade, estarão cometendo pecado e serão condenados pela Lei como transgressores.”. E logo na sequência, em Tiago 2:15-16, lemos: “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?”.

A primeira motivação bíblica para incluir os pobres na igreja é a justiça do Reino de Deus. O texto acima nos diz, no versículo 5, que Deus escolheu as pessoas pobres aos olhos do mundo para serem herdeiras do Reino de Deus. Isso significa que dos pobres é o Reino de Deus. Isso está lá em Lucas 6:20: “olhando para os seus discípulos, ele disse: “Bem-aventurados vocês os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus.”. Então, quando entregamos esse reino nas mãos dos desfavorecidos, entregamos a eles o que lhes é de direito. O que há de melhor no mundo pertence aos pobres por direito. Eles são os herdeiros do Reino do nosso Rei. Foi escolha de Jesus isso. Graça dEle. Como eu poderia fazer diferente?
A justiça do Reino de Deus é pautada pela equidade. Hebreus 1:8-9 diz: “Mas a respeito do Filho, diz: “O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu Reino. Amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros, ungindo-te com óleo de alegria”. Em Salmos 45:6 o cetro do Reino de Deus é colocado como a equidade. É com essa régua que Deus faz justiça.

E o que é a equidade? É o oposto de iniquidade. A iniquidade é quando eu quero fazer valer o meu direito. É quando eu acho que porque eu trabalhei, eu mereço gastar comigo mesmo. É quando eu chamo algo de propriamente meu. É quando eu olho para o outro que não trabalhou e digo que ele não merece. A iniquidade é de onde precede qualquer pecado. Eu adultero porque acho que o corpo é meu e por isso eu tenho o direito de fazer dele o que eu quiser. Eu pratico a corrupção porque penso ter o direito já que fui eleito e todos fazem o mesmo. Eu minto porque penso ter o direito de dizer a verdade ou não. E assim vai. 

A equidade nos leva a abrir mão direito ou a compartilhar o direito com aquele que aparentemente não o tem. Deus fez isso com os pobres. Fez isso com você. Fez comigo. Ele detinha as chaves do Reino na mão e apenas Ele tinha o direito a esse Reino, pois foi o único ser humano sem pecado. Mais do que isso. Olha só o que lemos em 2 Coríntios 8:9: “Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.”. Jesus era o único plenamente rico, mas se fez pobre por amor a nós e por meio da pobreza dEle, nos fez ricos. Se Jesus abriu mão da riqueza dEle para nos fazer ricos, quem somos nós pra fazer diferente? Porque Jesus compartilha o direito, eu também compartilho. Afinal, eu sou um pequeno Cristo. Logo, se eu trabalhei, ok, eu tenho direito de gastar comigo, mas eu decido abrir mão do direito e compartilhar com aquele que não tem.

Recentemente aconteceu isso comigo. Eu estava temporariamente sem carro, mas um amigo meu, o Bruno, que tinha o direito de ficar com o carro dele sem gastar pneu, óleo e demais itens de manutenção, decidiu deixa-lo comigo pelo tempo que fosse necessário até que eu conseguisse um outro carro. Isso é equidade. O Bruno ficou mais pobre naqueles dias e eu mais rico. Trocamos os papeis de rico e pobre todos os dias no Reino de Deus.

A segunda motivação para incluirmos o pobre na igreja é a consciência de família de Deus. E para que a gente possa ter essa consciência, a gente precisa conhecer a nossa identidade. Eu descubro, então, que a bíblia tem pelo menos 40 textos bíblicos que nos identificam como filho de Deus, mas eu escolho Romanos 8:15: “Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos, “Aba, Pai”.”. Esse texto traz a perspectiva de que Deus tem uma família da qual Ele é pai e eu sou filho. Entretanto, seria imprudência da nossa parte afirmar que somente nós, ou, somente eu, em mundo de bilhões de pessoas, é que sou filho de Deus. Não! Descobrir a nossa identidade nos ajuda a descobrir a identidade do nosso próximo. Se eu sou filho de Deus, ele também é. Eu não tenho certeza se a outra pessoa nasceu de Deus, mas isso não cabe a mim avaliar. Então eu trato todos como sendo filhos de Deus. Membros de uma só família.

Em Mateus 25:40, lemos: “O Rei responderá: “Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram”.”. O que Jesus está dizendo aí? Ele está dizendo que quando fazemos o bem às pessoas, em especial aos desfavorecidos, como o pobre, estamos fazendo a Ele. Jesus escolheu viver dentro deles. Viver dentro do pobre, da prostituta, do presidiário, do refugiado e de qualquer outro desfavorecido. Isso os torna membros da mesma família que nós, porque quando estamos lidando com eles, estamos lidando com Cristo, e Cristo é o nosso irmão mais velho, conforme o texto de Romanos. Por que isso fundamenta e motiva a igreja de Cristo a ser inclusiva? Porque não deixaremos de fora da família ninguém que Deus chamou de filho. Segundo Mateus 25, cuidar da família é a ação que torna evidente o o nosso conhecimento aos olhos de Deus. As árvores não têm olhos para enxergar umas as outras e ainda assim se comunicam e se reconhecem como família, suprindo as necessidades daquelas que se tornaram tocos e precisam de melhores nutrientes para sobreviver.

Ok! Nós conhecemos, então, duas motivações bíblicas que levam a igreja de Cristo a ser inclusiva: a justiça do Reino de Deus e a consciência de família. Entretanto, a pergunta que fica é: como podemos colocar isso em prática de forma sustentável? Como podemos incluir na nossa comunidade pessoas que não acompanham nosso ritmo social? Pessoas que não têm condições de frequentar os mesmos bares e restaurantes, de fazer as mesmas viagens, de sequer ter um lugar para voltar depois da viagem? De usar roupas adequadas, de ter o cheiro adequado, de falar a linguagem adequada? Devemos tentar torná-los um de nós com a mesma inserção econômica e social? Ou devemos encontrar uma forma de incluí-los sem mudar quem eles são?

Eu quero propor um conceito que tem ajudado muito a gente aqui na Vila Madalena: a inclusão de um filho de cada vez. Em geral, ficamos desesperados com a inclusão porque pensamos que temos que fazer isso em grande escala. Mas isso não é necessário! Aliás, creio que não deva nem ser nem aconselhável fazer isso no “atacado”. Recentemente, tive um diálogo, na sala de aula do mestrado que estou cursando, sobre a Cracolândia. Alguns amigos queriam mobilizar-se para montar um projeto social por lá. No meio do planejamento, eu fiz algumas perguntas a eles: vocês querem fazer um projeto social para resolver o problema da Cracolândia? Estão dispostos a mudar a vida de apenas uma única pessoa? Gastar tempo, dinheiro, vida, talento, tudo com ela? Separei uma história para ilustrar esse trecho. Vamos conhecer a “Bruxa da Cracolândia”, numa reportagem do Fantástico, de alguns meses atrás.

Percebem o valor de cuidar de uma pessoa por vez? Essa mulher mudou de vida porque alguém resolveu cuidar dela, pessoalmente. Alguém resolveu dedicar a vida a ela. Quando você muda o mundo de uma única pessoa, você muda o mundo. Costumo dizer que, “se você não quer mudar a vida de uma pessoa específica, não queira mudar a vida de uma classe social inteira”. Isso facilmente faria você entrar em uma espécie de assistencialismo. E veja bem! Eu não acho que assistencialismo seja algo ruim. Acho que também é necessário, mas estamos tratando aqui da vida da igreja e de como incluir as pessoas no convívio de comunidade. Então, o problema de querer incluir todos os moradores de rua do bairro na vida da igreja é que você vai tratar uma multidão que é um monstro sem rosto e coração, de acordo com a sabedoria dos Racionais MCs. Ou seja, você não terá tempo para se ocupar em desenvolver uma relação mais profunda com uma única pessoa, porque você estará exaustivamente envolvido com questões operacionais da multidão, esse monstro sem rosto e coração.

Portanto, decidimos cuidar de uma pessoa de cada vez, um filho de Deus de cada vez. Amar e cuidar de uma única pessoa requer de nós alguns cuidados. Primeiramente, temos que lembrar que cada detalhe dessa relação é obra do Espírito Santo. Deus escolheu a pessoa para o seu convívio e você para o convívio dela. Você precisa crer que Deus é o maior interessado nessa relação. Ele é o criador da missão de restaurar o ser humano. É especialista em mudar a vida das pessoas pra melhor. Então, tenha certeza de que isso é obra do Espírito. Sempre é. Se ainda estiver na dúvida, não comece a relação. Da parte de Deus, está tudo resolvido, mas da sua parte ainda resta resolver a sua dúvida, as suas crises. Então ore até que você se convença de que Deus quer você nessa relação, e para que Ele frustre todas as suas expectativas com as pessoas que Deus te mandou. Experimente viver o que Deus quer para você nessa relação, e não o que você quer de Deus.

Além de ter a certeza que a obra é de Deus, é fundamental que você tenha respeito pelo ser humano que Deus te enviou. Respeito pela história dele. Você nunca saberá toda a verdade a respeito, e tudo bem. Às vezes ele vai mentir para você, falhar com você. E ok! Permita-se ser enganado às vezes. Nessa relação, nós não estamos interessados nas informações certas como prioridade, mas no resgate e na reconciliação do ser humano. Tenha paciência que com o tempo de convivência você terá chances de ajuda-lo a não mentir mais. Devemos ter respeito pela condição deles. Eles são pobres e moradores de rua. Às vezes, eles não vão querer sair daquela situação e ser autônomos na vida, porque aquilo pode mudar quem eles são. Talvez você o tire da escravidão dele e o coloque na sua. Todos somos escravos de alguma coisa! Ele, escravo na exclusão social. Você, escravo do mercado e do sistema capitalista. A sua opinião sobre o fato de ele estar na rua não vem ao caso. Conheça-o muito antes de propor soluções. Devemos respeitar também a situação deles. Em muitos casos, você vai perceber que essas pessoas estão na rua porque são viciadas em drogas, em algum entorpecente. Você sabe que não é fácil se curar desses vícios. Tenha paciência. Respeite também o tempo das pessoas. Há pessoas que aprendem rápido, outras demoram. Por vezes, as pessoas não estão no momento de vida que as ajude tomar decisões difíceis. Respeite! Por último, conheça e respeite as limitações dele. Pode ser um problema de linguagem, mental, físico, emocional, espiritual, etc. … Não exija grandes decisões ou disposições de alguém limitado. Nem sempre vencemos as nossas limitações tão rapidamente. Moradores de rua não tem coach’s ajudando eles todos os dias. Lembre-se disso.

Agora que você sabe que a obra é do Espírito Santo e entendeu todas as coisas que você precisa respeitar nessa relação, quero falar com você sobre a cruz. Não será fácil dedicar-se a isso. Não será fácil entrar numa relação com uma pessoa tão diferente de você. Então, esteja disposto a sacrificar sua agenda, tempo com familiares e amigos, seu descanso e seus recursos financeiros, assim como está escrito em Lucas 14:33: “Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.”. Você não pagou pela graça de Deus, mas o discipulado custará tudo de você. No mesmo capítulo de Lucas, no versículo 28, Ele diz: “Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?”. Não entre nessa vida de discípulo sem antes calcular o preço. Quando você começar a dedicar sua vida a essa relação com todos os recursos e bênçãos que Deus colocou na sua vida, você experimentará a paz e a alegria que são consequências na justiça do Reino. Isso está escrito em Romanos 14:17: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”, e também em Mateus 6:33: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês.”.

Além daquilo que vai te custar, esteja pronto pra lidar com os riscos envolvidos nessa relação. O risco de ela não dar certo, o risco da pessoa morrer no meio do caminho, o risco de ser roubado, enganado, o risco de pegar uma doença, o risco de ficar sem dinheiro e até o risco de ser morto! Você corre esses riscos todos os dias e aos olhos dos homens você estaria correndo um risco ainda maior convivendo com alguém como o morador de rua. Então, lembre-se da promessa de Deus em Salmos 34:7-10: “O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra. Provem e vejam como o Senhor é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia! Temam o Senhor, vocês que são os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leões podem passar necessidade e fome, mas os que buscam o Senhor de nada têm falta.”. Isso não quer dizer que não acontecerá nada disso com você. Pelo contrário! Eu estou vivendo esse estilo de vida há menos de um ano e praticamente já aconteceu tudo isso comigo ou com alguém da nossa comunidade. Esse texto quer dizer que mesmo que isso tudo aconteça com a gente, Deus estará conosco e nada nos faltará!

Dessa forma, a gente pode aprender que na igreja inclusiva, o discipulado é uma via de mão dupla: temos algo a contribuir com o morador de rua e o pobre, mas se formos analisar, lá no fundo, nós aprendemos muito mais com eles! Minha oração hoje é para que você decida ajudar a sua comunidade a ser tornar uma igreja inclusiva. Não uma igreja que presta apenas assistencialismo. Uma igreja que inclui os menores do Reino de Deus na vida em comunidade, garantindo que eles não sejam excluídos dos benefícios de viver em família. E como no sistema das árvores que a gente possa se unir para favorecer os “tocos de seres humanos” que Deus nos presenteou pra cuidar. Essas são as minhas palavras pra vocês hoje, em nome de Jesus.

No chão da vida, o tempo voa!

Acabo de chegar em casa depois de viver um final de semana intenso, daqueles que deixam sua cabeça revirada, sabe? Tô meio zonzo, literalmente. Não consegui me reestabelecer ainda. Foram dois dias de um congresso que falou basicamente sobre missão… sobre essa missão que acontece hoje, agora, o tempo todo, focada em quem está lá fora e ainda não conhece o que, pela misericórdia de Deus, nós conhecemos.

Por falar em final de semana, esse foi meu último de férias do trabalho. Parece que ontem eu sai da TV. Hoje faz 28 dias. Quarta eu volto a trabalhar. Vivi dias especiais ao lado da minha família, e tô com medo do impacto que será deixa-las em casa quando voltar à rotina “normal”. Voou!

Quando eu saia do congresso que citei acima, recebi uma mensagem com uma notícia muito triste: um amigo meu, da Nova Semente, o grande Gelceles, faleceu. Ontem estava na igreja. Hoje, morreu. Esse cara viveu uma vida sofrida. A caminhada foi árdua. Lutas e mais lutas. 90% da experiência dele nessa terra foi longe de Deus. Mas há pouco tempo ele O conheceu. E isso mudou a vida do Gel.

No congresso, ouvi coisas que talvez não quisesse ouvir. Refleti sobre uma realidade que talvez eu não quisesse refletir. Afinal, o que eu tenho feito? Tenho vivido o que eu tanto prego? Quais as minhas raz… DESCULPAS, para não fazer o que eu sei que preciso fazer?

Ah, o Gel… Eu já o conheci na igreja, ainda lutando com os problemas que tanto o afligiam. Ficamos mais próximos quando ele passou a frequentar um pequeno grupo que eu liderava junto com minha esposa e outros amigos. Ali, ele se abriu, se entregou de verdade. Conheceu uma família que o amava. Conheceu o amor de Deus. Se esbaldou nesse amor. Pode experimentar milagres incríveis, dois deles, a sua própria conversão e a decisão pelo batismo. Ultimamente, as batalhas continuavam e acho que iriam perdurar. Me conforta o fato de saber que Deus talvez o tenha livrado de sofrer novos baques por aqui, afinal, o mais importante o Gel conseguiu: conheceu verdadeiramente a Cristo.

Depois de chorar e levar algumas porradas na cara durante o congresso, ao final, teve uma consagração. Foi uma sequência de testemunhos, orações e palavras de afirmação, uns sobre os outros. Deus, mais uma vez, agiu poderosamente. Faltava pouquíssimo tempo para eu ir embora, quando um menina se aproximou de mim. Eu não lembro o nome dela. Apenas sei que ela estava chorando quando disse: “Lucas, eu só queria agradecer… o podcast Metanoia tem sido muito importante pra mim e tem mudado minha vida. Não parem. Continuem firme”. Eu a abracei e chorei. “Louvado seja Deus”, eu disse a ela.

Chorando, fui pro carro e li a mensagem sobre o Gel.

Repensei sobre tudo que ouvira no final de semana. Repensei sobre a mensagem de Cristo e Sua missão. Repensei sobre o meu hoje, o meu agora. Repensei sobre minha vida. Repensei tudo! Entrei em crise. Quando cheguei em casa, chorei mais um pouco. Depois do banho, desabei. Sai do quarto para não acordar minha filha e vim escrever.

Sabe, o Gel só conheceu mais de Cristo porque um dia eu e outras pessoas resolvemos matar nosso eu para viver aquele pequeno grupo. Agradeço, inclusive, ao Rodrigo Maciel que forçou a barra e me fez liderar esse PG, mesmo, à época, a contragosto. Deus usou tudo que vivemos para salvar esse cara! Você entende o que estou falando? Uma decisão! Ir! Fazer! Hoje! Agora! Mas, pensando assim, quantas pessoas estão morrendo nesse exato momento sem o privilégio que o Gel teve porquê eu estou parado? Deus seja louvado pela vida do Gel, mas Deus tenha misericórdia desse que vos escreve.

Às vezes, me pego dizendo: já, já, eu volto a fazer o que fazia, a viver o que vivia, a ser quem eu era. Mas o chamado de Cristo é para irmos agora! Ele disse: “Eu vos envio…” Estamos enviados. Ponto. Diferentemente do meu trabalho, onde ainda estou de férias, no Reino de Deus, não há descanso, nem folga. É 24 por 7. E sabe por quê? Porque o o relógio tá girando e pessoas estão morrendo. Quando estamos em prontidão, elas não morrem sem O conhecer. Mas, quando dormimos no ponto, filhos se perdem por causa do nosso egoísmo. E não adianta dizer, “amanhã eu farei”. Tá mais que provado que o amanhã pode nem chegar. Afinal, no chão da vida, o tempo voa.

Converse

Conversar é o melhor remédio para um mundo tão caótico. Então, converse. Na conversa há cura. Na relação estão as lições. Sente. Ouça. Fale. Mas fale menos para ouvir mais. E quando falar mais, o faça com sabedoria. Mas faça. Converse. Trocar ideias é a forma mais efetiva de aprender e crescer. Cresça. Converse. No isolamento e no distanciamento moram as principais doenças de qualquer civilização. Esqueça a tecnologia. Sente frente a frente. Sinta a presença de alguém. Qualquer pessoa. Veja as expressões. Entenda as reações. Converse. Na conversa estão as mais preciosas joias do aprendizado. Ouça sem pré conceitos. Seja vulnerável. Deixe que seu eu seja contrariado. Mude de opinião. Tenha convicção do que pensa, mas viva com a leveza de quem pode conhecer algo novo.

Surpreenda-se. Converse.

No trabalho, não vá apenas trabalhar. Vá fazer amigos. Aquele papo de que trabalho é apenas trabalho é a maior besteira de todas. Não entre e saia sem conversar com pelo menos uma pessoa. Conversa de verdade. Conversa franca. Qualquer assunto. Converse. Faça o mesmo na academia, no restaurante, na igreja, no posto de combustível, no elevador, no café.

Na conversa há vida, vida abundante.

Levante de onde você está. Deixe o celular de lado. Olhe para os lados. Procure alguém. Converse. Sobre política, economia, videogame, futebol, religião, Deus. Converse. Deixa fluir o que está dentro de você. Deixe Deus falar. Sim, Ele é quem quer falar. Não cale a voz do Mestre. Converse. Na conversa há Deus.

Converse com Ele, e deixe Ele conversar por meio de você.

Por Lucas Wilches

Precisamos falar de Cristo e da eternidade

“Justiça bloqueia R$800 milhões da conta de Joesley Batista”
“Marina Ruy Barbosa usa brincos de mais de R$ 57 mil em evento”
“Paolla diz que lutou 5 horas por dia para chegar ao corpão”

Essas são três manchetes que acabo de ler na capa de um dos principais sites de notícia do país. Se eu listasse tudo que está na página principal desse site perceberia que tenho disperdiçado boa parte dos meus dias lendo e refletindo sobre verdadeiras besteiras. Mas é comum, fazer o quê. Vivemos entretidos pelo que não tem valor. Rimos de páginas engraçadas nas redes sociais, compartilhamos notícias sobre o prefeito, criticamos o mundo, invejamos os ricos e famosos, mas, como diria Lulu Santos, assim caminha a humanidade (Viu? Essa foi a primeira referência que veio à minha mente!). Com isso, passam os minutos, as horas, os dias e esquecemos do Eterno. Deixamos para a reflexão matinal, para o sábado, para a ação de rua… Durante a rotina diária, afinal, tenho de ficar a par do que acontece no mundo. Oi?

Hoje, meu irmão que mora fora do país me mandou uma mensagem dizendo que quer vir, ainda esse mês, com urgência, ao Brasil, pois nossa mãe disse que nossa vó não está muito bem de saúde. Ele quer vir se despedir, mas não disse isso. Eu fiquei mal. Por quê? Eu deveria ficar? Não se eu estivesse fixado na eternidade, mais precisamente no Cristo da Eternidade. Mas minha cabeça está voltada aos meus negócios, ao meu trabalho, às minhas preocupações… (me deu vontade de soltar um palavrão agora!) Por que deixamos a vida correr assim? Por que as manchetes toscas e bizarras são compartilhadas com tanta tranquilidade, quando Deus sonha com nossa rede social cheia de compartilhamentos que gerem vida? (me deu vontade de soltar OUTRO palavrão agora!) Em breve, se Jesus não voltar antes, minha vó partirá. Acho que eu nunca saberei lidar com despedidas, muito menos quando tratar-se algo tão próximo. Espero que Deus dê ainda muitos anos a ela, com saúde, claro. Ninguém quer ver alguém que ama sofrendo. Mas, pra não correr o risco do remorso, meu irmão virá, e eu vou lá com ele. Ao escrever, já estou sentindo o gosto salgado das lágrimas que derramo, no meu local de trabalho, em meio a 30 jornalistas só de refletir sobre isso. Pra ela será o piscar de olhos mais emocionante… Ela verá Cristo! A saudade ficará, mas e a alegria da vitória dela, em meio ao caos do mundo?

A verdade é que o que me mais tocou mesmo durante essa tarde foi quando eu abri a rede social e, diferente do que tem sido mais comum, li o post de uma menina que, sendo sincero, não conheço, mas a tenho em meu Facebook. O nome dela é Kelly Monteiro. Ela escreveu algo sobre a volta de Jesus, sobre a eternidade sem despedidas, sobre a paz, o fim do que é tosco e bizzaro, a exterminação das “manchetes absurdas”… E ela também falou sobre a presença eterna do nosso irmão mais velho ao nosso lado. A Kelly escreveu que estava com “saudade dele”. E acho que hoje, pela primeira vez, em meio a uma reflexão que eu não percebi que estava fazendo desde o momento em que meu irmão veio falar comigo à tarde, eu senti saudade de Jesus. Senti muita vontade de estar com Ele. É verdade que anseio pelo céu, pelo paraíso, não vou mentir. Mas, repito, pela primeira vez eu senti vontade de abraçar Jesus! (sinto vontade absurda de correr agora e abraça-lo com muito amor, enquanto choro com mais veemência. Daqui a pouco alguém vai me perguntar se estou bem). A Kelly talvez nem saiba o quanto o texto dela mexeu comigo. O meu irmão talvez não saiba. A minha vozinha, o grande exemplo de fé que tenho na família, talvez não saiba. Mas se falássemos mais sobre a eternidade e o sobre o Cristo dela, talvez todos soubessem o que estou sentindo.

O mundo não vai mudar. As coisas não vão melhorar. As manchetes vão ser cada vez piores. As pessoas vão se esquecer cada vez mais do Cristo. Mas eu JURO que jamais esquecerei dEle e do dia de hoje. Não sei exatamente o porquê, mas tomei um baque! “Me perdoe Pai, por tanto tempo em vão”. Que o Cristo da eternidade e tudo que estiver com isso relacionado seja a pauta principal da minha vida. Sempre prego isso, mas talvez agora a ficha tenha caído. Que assim seja, afinal, precisamos reescrever as manchetes da nossa vida. Ora, vem Senhor Jesus. Amém.

Eu sou…

Vivemos dias difíceis, em que as guerras acontecem do nosso lado, entre iguais. A crise assola as relações de trabalho, o estresse afasta a vida familiar, a incerteza do futuro corrói o coração dos jovens, os adolescentes se destroem com práticas de bullying. Enquanto o capitalismo busca nisso tudo a solução para seu inconstante crescimento, as religiões escravizam as pessoas em sua própria ganância de ficarem sem as “bênçãos prósperas” de Deus.

Olhando para o espelho me pergunto: E você como sobrevive a tudo isso? Quem você pensa que é? Quem é Deus para você? Quem eu sou para Deus?  Um sorriso brota no canto da boca pela certeza da mesma resposta para todas as perguntas, EU SOU…

A vida de Cristo é animal, mas pensar em sua reencarnação e os desdobramentos disso me revelam um louco amor.

Cristo não passaria de um deus qualquer se tivesse vindo como um deus, e também não passaria de um rei qualquer se viesse como homem, mas ele veio como SERVO, o próprio criador do UNIVERSO, AMOR em sua totalidade, veio servir, para que, servindo, pudesse ser tudo o que foi, atual e vivo até hoje, REAL.

Somente um Cristo que serviu sofreria as tentações e venceria todas elas, para que sabendo o que é ser tentado pudesse me dizer, “Tá complicado aí, né? Mas fica tranquilo, eu sei como é e já venci pra você, vem comigo que você passa de ano!”, parafraseando João 16, em especial o versículo 33.

Naquele dia, após o próprio Espírito Santo ter conduzido Cristo ao deserto da tentação (Mateus 4), Satanás aproveita um momento de “fraqueza” humana de Cristo, em que ele está com fome e “prepara a cama de gato”. Satanás é ardiloso!

Mas Cristo é simples. Ele vê as coisas na exata perspectiva em que são. Cristo não viu tentação de poder, nem tentação de status, muito menos tentação de riqueza. Desde o primeiro momento Cristo percebeu que Satanás queria tentar a IDENTIDADE do Mestre, “Se tu és o Filho de Deus (…)”.

Desde o Éden a identidade humana é tentada. Lá, para que fossemos iguais ao Pai; hoje, para que sejamos servos de Deus, que cumprem requisitos para serem salvos, enquanto Cristo diz, repetidamente, até para Satanás, “Eu sou Filho, Eu sou Filho, Eu sou Filho de DEUS!”. E essa talvez seja a maior característica do discípulo.

É só isso que Cristo precisava saber, que era filho de Deus, que Deus era seu Pai e para Deus Ele era um filho. Simples.

Simples assim. Eu me olho no espelho e com um sorriso na boca afirmo, “EU SOU FILHO DE DEUS!”. E por ser filho, eu não vivo em busca da salvação, pois já estou salvo. Porque já fui perdoado, me arrependo. Não espero o reino da glória, mas vivo o reino da graça, aqui e agora!

Tenho a certeza de que até na padaria não vou comprar pão, vou cuidar e reconciliar pessoas, como um filho de Deus que quer que seus outros irmãos saibam que o Pai está correndo para lhes abraçar (Lucas 15:20).

Pois somos todos filhos do mesmo Deus que, imediatamente após Adão e Eva pecarem, passeou pelo jardim (Gn 3:8) e, gentilmente, os chamou para fora da escuridão de volta aos seus olhos de amor, e fez para SEUS FILHOS o verdadeiro sacrifício.

Dando o melhor ou o pior? O primeiro ou o último?

Algumas colegas de trabalho se reúnem para conversar durante o expediente. Uma delas trouxe uma sacola de roupas para doar na campanha do agasalho da empresa e mostra as peças às amigas, que ficam alucinadas! Depois de exibir os produtos que vão à doação, e diante do êxtase das outras meninas, a dona começa a dar as melhores peças. “Ah, gente, tem muita coisa boa aqui para doar”, ela diz. “Peguem”, ela convida. As amigas pegam mais. Rindo, a dona termina: “Os pobrinhos vão acabar ficando sem”.

Esse é o pensamento que dirige a vida de muita gente. Se é pra doar, vou doar o que sobra, o que já não uso, o que é pior. O melhor, o bonito, o “usável”, eu dou pra “quem merece”, afinal, “os pobrinhos” podem ficar com qualquer coisa, já que não têm nada. Se isso fosse apenas uma realidade de quando doamos roupas ou pertences em geral, eu nem gastaria meu tempo escrevendo aqui. O problema é que esse mindset nos acompanha em toda vida, inclusive, na parte principal: a missão de Deus.

Quando Deus nos chama para fazer parte de Sua missão na Terra, Ele deseja que dediquemos o que há de melhor, o primeiro, a força mais imponente de nossas vidas. É por isso que acordamos, oramos, refletimos e conversamos com o Eterno, simplesmente porque precisamos colocá-lo à frente de tudo. No decorrer da semana, abrimos nossa agenda e, só quando sobra tempo, fazemos algo que seja diretamente relacionado com o Reino (“diretamente”, porque, na verdade, tudo é missão, mas como ainda fazemos separação entre o que é e o que não é, então é importante deixar claro!). Mas, o certo seria agendar todo o restante das atividades apenas depois de colocar tudo que temos como chamado feito por Cristo.

No fim das contas, vivemos um “ateísmo cristão”. Cremos em Deus, mas por não ser palpável, e por não sentirmos Ele o tempo todo conosco, O deixamos de lado quando encontramos novas prioridades. “Ele quer o melhor? Ele deseja que eu O coloque como primeiro? Mas por quê? Não precisa, vai?! Ele entende que preciso ir trabalhar, me exercitar e descansar, afinal, sou de carne e osso!”. Repetimos inconscientemente essa frase várias vezes ao longo dos nossos dias de vida. O reflexo disso é tenebroso! Nos afastamos do Eterno. Perdemos Ele de vista. Paramos de senti-lo. E aí, na sequência, passamos a entregar só o que sobra, só o que é mais velho, de menor valor. Se não acaba, eu dou a oferta; se tenho força, ajudo alguém; se resta tempo depois de fazer tudo pra mim, penso no próximo… Essa lista poderia ir longe, muito longe, mas vou parar aqui.

Vou, também, encerrar o texto nesse parágrafo. Não quero me estender. Queria apenas jogar essa bomba em direção ao seu coração, depois de tê-la visto explodir aqui no meu. O que tenho dado por Deus? O que tenho entregado? Ele tem sido minha prioridade, como prego por aí, às vezes? Me sinto meio constrangido, e você também pode se sentir assim. Mas sabe o que é bom? Do alto de Sua infinita misericórdia, Deus continua nos olhando, com um sorriso suave, como quem diz: “Filho, sempre é tempo. Comece agora. Estou a postos para virar sua prioridade. Tem muita gente à sua volta que precisa dessa sua decisão. E aí, aceita?”

Começa mais uma semana. Pra que mesmo?

Hoje é domingo… Provavelmente você completou essa frase, cantando aquela velha música “…pede cachimbo”. Pra muitos o domingo é um dia muito feliz, afinal, amanhã será dia de trabalhar. Pra outros, trata-se de um pesadelo, afinal, segunda é dia de trabalhar. São os dois lados de uma mesma moeda. Fato é que não temos escolha: depois do domingo vem a segunda, e começa a semana útil de labuta. Não, eu não esqueci que estou escrevendo na véspera de um feriado, mas isso não importa, pois quero deixar o significado geral da reflexão para as semanas “normais”. Antes de avançar, deixe apenas esclarecer um ponto: não vim falar de trabalho, de satisfação, de felicidade ou de gratidão por ter um emprego. O foco é outro. E nessa abordagem a pergunta do título se faz necessária agora: “pra que começa mais uma semana?”

Não se trata da possibilidade de novas conquistas. A segunda não é o primeiro dia rumo à sua independência financeira. O primeiro dia útil da semana não pode sempre carregar aquelas velhas máximas, “nossa, hoje é segunda”; “estou devagar”; “não consigo produzir”, “que dia triste”, “quanto tempo falta para a sexta?”. Olhe para a segunda como uma nova chance que Deus te dá. Sim, uma nova chance de iniciar uma nova semana para fazer novas coisas e mudar novas vidas. Já que a segunda é o “dia internacional do início de tudo”, por que não usar o dia de amanhã para voltar a colocar sua vida no eixo, no que diz respeito ao único propósito que deveríamos ter? (nota: espero que você saiba que propósito é esse!)

A vida é muito mais do que a rotina de serviço. E posso te dizer uma coisa? É muito mais do que as “missões” que você tem feito com sua comunidade ou sua galera. A vida é, por completa, uma guerra que não cessa. Quando Deus sonhou contigo, ele te deu um papel para que você cumprisse ao longo dos anos que você estivesse na Terra. Inevitavelmente, nós “esquecemos” desse papel de reconciliar as pessoas com Deus, e umas com as outras. Que triste, não? Nós deixamos de lado a posição de sacerdotes do Reino (1 Pedro 2:9 – Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz) e vivemos como coadjuvantes na missão eterna. Ele te deu um papel de protagonista e você prefere ser coadjuvante! Não acha isso um absurdo?

Se a segunda-feira é um fardo pra você, significa que ainda não entendeu que NADA deixa de ser espiritual. E se TUDO é espiritual todo dia é dia de sinalizar o Reino de Deus, de sábado a sábado. Outro dia ouvi uma frase que me levou a nocaute: “se a segunda-feira não for tão santa quanto o sábado, alguma coisa está muito errada na sua vida”. Consegue entender o que está por trás dessa frase? Ela não diminui o valor do sábado, pelo contrário! Ela mostra que o sábado é a base pra tudo. Mas, a segunda deve ser tão santa quanto, quando você está nela como sacerdote do Eterno, seja no trabalho, na sua casa, na academia, no trânsito e em qualquer outro lugar.

A semana útil está começando e diante do chamado de Deus para sua vida há opções a escolher:
a) continuar a viver sua vida medíocre que não muda nada da realidade à sua volta;
b) achar que tudo isso que eu escrevi não passa de uma besteira sem tamanho;
c) refletir sobre seu papel nesse mundo e viver todos os dias para a glória do Eterno;
d) seguir a vida como se não tivesse lido esse texto;
e) ligar o Netflix e assistir a mais um episódio da sua série favorita.

E aí, qual a sua escolha?

Mais uma semana começa. Pra que mesmo?

A Páscoa – uma poesia sobre a cruz


Dentro de uma cela
No canto acorrentado
Apenas à luz de uma vela
Meu pulso está algemado

Tudo é escuro
O medo toma conta de mim
Cercado por quatro muros
Agora será o meu fim

Um homem sem sorte
Condenado à execução
Prestes a enfrentar a morte
Sem chance de libertação

Sim, eu sou culpado
Mas queria uma oportunidade
De voltar à sociedade
E mostrar que estou renovado

Chamo o guarda da prisão
Sinto no corpo um arrepio
Ele nem me dá atenção
Fico sozinho no clima sombrio

Mas o portão é então destrancado
Acho que agora vem o carrasco
Eu serei executado
Meu desejo se torna um fiasco

Alguém entra e eu cubro o olhar
A corrente é arrebentada
A algemada é retirada
Ele diz que não vai me matar

Pede pra eu me levantar
Pagaram toda a fiança
Estou livre para recomeçar
Essa era minha esperança

A cela se fecha atrás
E pra sempre é trancada
Da cela ao lado sai Barrabás
As penas estão abortadas

De assassinos a mentirosos
Da mais grave à mais singela
Estão livres os criminosos
Abriram-se todas as celas

No corredor, ouço comentários
Alguém escolheu a condenação
Ele está lá no calvário
Pendurado com cravos nas mãos

Saio do calabouço
Livre eu enxergo a luz
Em meio à gritaria eu ouço
Que o nome do homem é Jesus

Corro na multidão
Quero chegar nessa cruz
De joelhos caio no chão
Sou ofuscado pela luz

Ele diz que está consumado
Eu não preciso ficar preocupado
O madeiro que foi levantado
Estava no plano que fora traçado

O sofrimento foi por amor
Aquilo era só a passagem
Ele precisava sentir a dor
Pra que a gente entendesse a mensagem

Ali compreendo quem sou
Um homem que foi resgatado
Com nova identidade estou
Sou filho do Mestre amado

A cruz foi necessária
Mas a morte foi destruída
A cova foi temporária
E a ressurreição nos trouxe vida

Não mais escuridão
Agora apenas a luz
A Páscoa é a renovação
Pela graça de Jesus