Dando o melhor ou o pior? O primeiro ou o último?

Algumas colegas de trabalho se reúnem para conversar durante o expediente. Uma delas trouxe uma sacola de roupas para doar na campanha do agasalho da empresa e mostra as peças às amigas, que ficam alucinadas! Depois de exibir os produtos que vão à doação, e diante do êxtase das outras meninas, a dona começa a dar as melhores peças. “Ah, gente, tem muita coisa boa aqui para doar”, ela diz. “Peguem”, ela convida. As amigas pegam mais. Rindo, a dona termina: “Os pobrinhos vão acabar ficando sem”.

Esse é o pensamento que dirige a vida de muita gente. Se é pra doar, vou doar o que sobra, o que já não uso, o que é pior. O melhor, o bonito, o “usável”, eu dou pra “quem merece”, afinal, “os pobrinhos” podem ficar com qualquer coisa, já que não têm nada. Se isso fosse apenas uma realidade de quando doamos roupas ou pertences em geral, eu nem gastaria meu tempo escrevendo aqui. O problema é que esse mindset nos acompanha em toda vida, inclusive, na parte principal: a missão de Deus.

Quando Deus nos chama para fazer parte de Sua missão na Terra, Ele deseja que dediquemos o que há de melhor, o primeiro, a força mais imponente de nossas vidas. É por isso que acordamos, oramos, refletimos e conversamos com o Eterno, simplesmente porque precisamos colocá-lo à frente de tudo. No decorrer da semana, abrimos nossa agenda e, só quando sobra tempo, fazemos algo que seja diretamente relacionado com o Reino (“diretamente”, porque, na verdade, tudo é missão, mas como ainda fazemos separação entre o que é e o que não é, então é importante deixar claro!). Mas, o certo seria agendar todo o restante das atividades apenas depois de colocar tudo que temos como chamado feito por Cristo.

No fim das contas, vivemos um “ateísmo cristão”. Cremos em Deus, mas por não ser palpável, e por não sentirmos Ele o tempo todo conosco, O deixamos de lado quando encontramos novas prioridades. “Ele quer o melhor? Ele deseja que eu O coloque como primeiro? Mas por quê? Não precisa, vai?! Ele entende que preciso ir trabalhar, me exercitar e descansar, afinal, sou de carne e osso!”. Repetimos inconscientemente essa frase várias vezes ao longo dos nossos dias de vida. O reflexo disso é tenebroso! Nos afastamos do Eterno. Perdemos Ele de vista. Paramos de senti-lo. E aí, na sequência, passamos a entregar só o que sobra, só o que é mais velho, de menor valor. Se não acaba, eu dou a oferta; se tenho força, ajudo alguém; se resta tempo depois de fazer tudo pra mim, penso no próximo… Essa lista poderia ir longe, muito longe, mas vou parar aqui.

Vou, também, encerrar o texto nesse parágrafo. Não quero me estender. Queria apenas jogar essa bomba em direção ao seu coração, depois de tê-la visto explodir aqui no meu. O que tenho dado por Deus? O que tenho entregado? Ele tem sido minha prioridade, como prego por aí, às vezes? Me sinto meio constrangido, e você também pode se sentir assim. Mas sabe o que é bom? Do alto de Sua infinita misericórdia, Deus continua nos olhando, com um sorriso suave, como quem diz: “Filho, sempre é tempo. Comece agora. Estou a postos para virar sua prioridade. Tem muita gente à sua volta que precisa dessa sua decisão. E aí, aceita?”

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Lucas Wilches

Lucas Wilches. Um filho de Deus, salvo pela Graça. Jornalista. Apresentador do podcast Metanoia. Louco para contar as histórias que são escritas pelo Criador das palavras.

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