Ao longo da minha caminhada cristã, repito constantemente o termo “pequeno Cristo”. Isso porque, na medida do possível, busco lembrar durante as atividades rotineiras que, em tudo, preciso parecer com Aquele que justifica meus dias na terra, preciso ser um “pequeno Cristo”. E isso vale, inclusive, para a internet. Ah, a internet… Fábrica de mocinhos e vilões. Criadora de especialistas e ignorantes. Terreno fértil para o despertar, ou melhor, o explodir do egocentrismo do “serumaninho”, como diria o outro. Se o mundo é um caos, a internet é o caos concentrado. Se no mundo é difícil manter a postura de “pequeno Cristo”, na internet, não preciso nem dizer. Entre ódio e orgulho, muita coisa pode acontecer.

A respeito disso, eu ouvi, na última semana, uma informação muito interessante do psicólogo, Cristiano Nabuco. Olha só o que ele diz: “Alguns pesquisadores chegam a dizer que, seja em monitor fixo ou em um telefone celular, quando alguém entra na internet, uma outra personalidade toma conta dela. Isso é denominado “Personalidade Eletrônica”, uma personalidade mais insubordinada, mais agressiva, mais sexualizada. É como se o indivíduo, então, longe dos olhos dos outros, se sentisse mais à vontade para fazer coisas que ele não faria, criando consequências devastadoras pra quem está do outro lado”.

A psicologia mostra quão problemático e perigoso é usar a internet “sem freios”. Pior do que viver vestido com uma máscara suja e mal lavada, o internauta-irresponsável-anticristo pode acabar com a vida de quem está do outro lado da tela, mesmo sem conhecer tal pessoa, inclusive. Durante a última semana, presenciei – e participei, infelizmente – de uma discussão no Facebook. O assunto era cristão, mas a postura das pessoas, nem de longe. De um lado e do outro – e eu ali – os filhos de Deus tentavam colocar goela abaixo sua opinião acerca do tema discutido. Talvez algumas das pessoas que protagonizaram esse “show de horror” – eu me ponho nesse balaio – leiam esse texto e se defendam: “Poxa, Lucas, mas eu não tentei fazer isso”. “Ah, mas foi ela”. “Não viaja, Lucas, eu estava apenas argumentando, em paz”. Só de estar entre os argumentadores-impositores-brigões já está errado. E eu explico o por quê.

A ARGUMENTAÇÃO SEM FIM

Ninguém está nas redes sociais para ser convencido. Todos estão para convencer. Ninguém que abre um tópico de discussão quer ver sua opinião contrariada. Todos querem sua postura bajulada. Eu sou assim. Você é assim. Sabe por quê? Porque, conforme pontua a psicologia, longe do “olho no olho”, somos mentirosos, não somos nós mesmos. Fingimos ser algo que não somos. É o famoso “o que você faz quando ninguém te vê fazendo?”. E mesmo quando conseguimos ser aquilo que acreditamos ser em Deus, corremos o risco de fazer por ego, para exibir a identidade que temos. Um “pequeno Cristo” é o que é por causa do seu Pai, e não precisa impor sua identidade, muito menos suas convicções.

Se a essa altura você está pensando que estou sendo muito duro, que “argumentar em paz” na internet não tem nada de mais, repense. Quer conversar? Que seja no um a um. Quer colocar seu ponto de vista? Faça pessoalmente. Viu uma postagem que discorda e sente aquele desejo incontrolável de apenas “dar sua opinião inofensiva”? Lembre-se: esse ímpeto pode não vir do Mestre. Pode parecer um clichê, mas o que Jesus faria na internet hoje em dia? Gastaria tempo “argumentando com os fariseus” ou investiria seus minutos em gerar vida através das páginas disponíveis na web?

Eu, na internet, ainda sou um lixo. Essa semana eu errei feio e vi várias pessoas que admiro errando também. Somos filhos de Deus, mas humanos, pecadores por natureza (salvos pela Graça!). A “Vida do Discipulado” tem um preço a pagar, como diz meu parceiro de caminhada, Rodrigo Maciel. O maior deles é pago com a “morte do eu”, ou melhor, a “execução sumária do eu”. E para que isso seja feito, enquanto você navega nas redes sociais, o primeiro passo é guardar sua opinião para mais tarde.

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Lucas Wilches

Lucas Wilches. Um filho de Deus, salvo pela Graça. Jornalista. Apresentador do podcast Metanoia. Louco para contar as histórias que são escritas pelo Criador das palavras.

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