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A Páscoa – uma poesia sobre a cruz


Dentro de uma cela
No canto acorrentado
Apenas à luz de uma vela
Meu pulso está algemado

Tudo é escuro
O medo toma conta de mim
Cercado por quatro muros
Agora será o meu fim

Um homem sem sorte
Condenado à execução
Prestes a enfrentar a morte
Sem chance de libertação

Sim, eu sou culpado
Mas queria uma oportunidade
De voltar à sociedade
E mostrar que estou renovado

Chamo o guarda da prisão
Sinto no corpo um arrepio
Ele nem me dá atenção
Fico sozinho no clima sombrio

Mas o portão é então destrancado
Acho que agora vem o carrasco
Eu serei executado
Meu desejo se torna um fiasco

Alguém entra e eu cubro o olhar
A corrente é arrebentada
A algemada é retirada
Ele diz que não vai me matar

Pede pra eu me levantar
Pagaram toda a fiança
Estou livre para recomeçar
Essa era minha esperança

A cela se fecha atrás
E pra sempre é trancada
Da cela ao lado sai Barrabás
As penas estão abortadas

De assassinos a mentirosos
Da mais grave à mais singela
Estão livres os criminosos
Abriram-se todas as celas

No corredor, ouço comentários
Alguém escolheu a condenação
Ele está lá no calvário
Pendurado com cravos nas mãos

Saio do calabouço
Livre eu enxergo a luz
Em meio à gritaria eu ouço
Que o nome do homem é Jesus

Corro na multidão
Quero chegar nessa cruz
De joelhos caio no chão
Sou ofuscado pela luz

Ele diz que está consumado
Eu não preciso ficar preocupado
O madeiro que foi levantado
Estava no plano que fora traçado

O sofrimento foi por amor
Aquilo era só a passagem
Ele precisava sentir a dor
Pra que a gente entendesse a mensagem

Ali compreendo quem sou
Um homem que foi resgatado
Com nova identidade estou
Sou filho do Mestre amado

A cruz foi necessária
Mas a morte foi destruída
A cova foi temporária
E a ressurreição nos trouxe vida

Não mais escuridão
Agora apenas a luz
A Páscoa é a renovação
Pela graça de Jesus